quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Visitação a Área de Preservação Permanente - APP Fazenda Pereiro



Componente curricular: Geografia
Professor: José Lima Dias Júnior
Colaboradores: Assis Amorim, Elisabeth Marques e Hugo Arnaud


Figura 1 - Assis Amorim (Zuzinha), apresentando a Fazenda Pereiro.




INTRODUÇÃO

A educação ambiental é uma disciplina fomentadora de pressupostos teórico-metodológicos quanto aos princípios e práticas voltados para uma sociedade sustentável.

Durante toda nossa vida nos beneficiamos do Meio Ambiente sem preocupação de preservar os recursos que ele nos oferece, devido a esse uso indiscriminado muito já foi destruído causando sérios danos e diminuindo a qualidade de vida do ser humano, faz-se necessário que a escola proponha novos caminhos que leve a uma nova relação com a natureza.

À medida que compreendermos que a manutenção e preservação dos ecossistemas só serão possíveis a partir de uma nova mentalidade que eduque e modifique os hábitos, e que as pessoas possam ir além do discurso, relacionando-se de forma mais responsável e saudável com o meio ambiente, assim, conseguiremos minimizar os efeitos provenientes desse impacto.


O que são áreas de preservação permanente (APPs)?

Segundo o atual Código Florestal, Lei nº12.651/12:

Art. 3o Para os efeitos desta Lei, entende-se por:
(...)
II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

Áreas de preservação permanente (APP), assim como as Unidades de Conservação, visam atender ao direito fundamental de todo brasileiro a um "meio ambiente ecologicamente equilibrado", conforme assegurado no art. 225 da Constituição. No entanto, seus enfoques são diversos: enquanto as UCs estabelecem o uso sustentável ou indireto de áreas preservadas, as APPs são áreas naturais intocáveis, com rígidos limites de exploração, ou seja, não é permitida a exploração econômica direta.

As atividades humanas, o crescimento demográfico e o crescimento econômico causam pressões ao meio ambiente, degradando-o. Desta forma, visando salvaguardar o meio ambiente e os recursos naturais existentes nas propriedades, o legislador instituiu no ordenamento jurídico, entre outros, uma área especialmente protegida, onde é proibido construir, plantar ou explorar atividade econômica, ainda que seja para assentar famílias assistidas por programas de colonização e reforma agrária.

Somente órgãos ambientais podem abrir exceção à restrição e autorizar o uso e até o desmatamento de área de preservação permanente rural ou urbana, mas, para fazê-lo, devem comprovar as hipóteses de utilidade pública, interesse social do empreendimento ou baixo impacto ambiental (art. 8º da Lei 12.651/12).

As APPs se destinam a proteger solos e, principalmente, as matas ciliares. Este tipo de vegetação cumpre a função de proteger os rios e reservatórios de assoreamentos, evitar transformações negativas nos leitos, garantir o abastecimento dos lençóis freáticos e a preservação da vida aquática.


JUSTIFICATIVA

Engajados na preservação do meio ambiente com foco na manutenção dos ecossistemas (especialmente, do bioma caatinga), os alunos da Escola Municipal Genildo Miranda visando estabelecer uma relação entre a teoria (fundamentação através dos principais conceitos: bioma, ecossistema, ecologia, meio ambiente, degradação ambiental, ética ecológica, preservação e sustentabilidade) e a prática (aplicação dos conceitos na área visitada) visitou a Área de Preservação Permanente (APP) na Fazenda Pereiro, localizada na comunidade rural do Lajedo, Mossoró/RN.



Figura 2 - Chegada dos alunos a APP.

Neste sentido, nos pautamos numa proposta didático-pedagógica que possibilite aos educandos um conhecimento que perpasse pela subjetividade do imaginário e que através da Geografia escolar possa fazê-los compreender a comunidade, a cidade, o pais e o mundo para obter informações a seu respeito; conhecer o espaço produzido pelo ser humano e a relação da sociedade com a natureza; fornecendo condições para sua formação para sua cidadania.

Acredito que refletir criticamente sobre as nossas atitudes, repensar hábitos e comportamentos, e, colocar em prática é um dos maiores desafios para a educação ambiental contemporânea.

Contudo, para termos comportamentos ambientalmente e socialmente corretos é necessário, antes de tudo, estarmos fundamentados numa ética universal, o que se refletiria em executar um desenvolvimento voltado para a sociedade sustentável proporcionando uma melhor qualidade de vida que, ao mesmo tempo, conserve a diversidade dos ecossistemas.

Entretanto, a educação deve se apresentar como “ação política”, como presume Paulo Freire. Por isso, cada indivíduo precisa compreender que é parte integrante da natureza e que através de nossas ações podemos modificar o que está a nossa volta, interagindo igualmente e compartilhando os mesmos direitos e deveres.




Figura 3 – Aplicando, in loco, os conceitos vistos em sala de aula.

Entretanto, a educação deve se apresentar como “ação política”, como presume Paulo Freire. Por isso, cada indivíduo precisa compreender que é parte integrante da natureza e que através de nossas ações podemos modificar o que está a nossa volta, interagindo igualmente e compartilhando os mesmos direitos e deveres.

O grande desafio ambiental que se apresenta neste novo milênio é de criarmos uma ética ecológica que contemple um comprometimento com a diminuição da destruição dos ecossistemas, das desigualdades sociais, assim como da promoção dos valores humanistas.

OBJETIVO GERAL

Despertar nos alunos a consciência para que possam não apenas agir corretamente no processo de preservação só meio ambiente, como também ser um colaborador dessa consciência junto as suas famílias e a comunidade.


OBJETIVO ESPECÍFICOS

Ø  Estimular a conscientização a respeito do Meio Ambiente e da importância da sua preservação, assim como da necessidade do reaproveitamento do lixo por meio da reciclagem.

Ø  Levar o aluno a refletir o que provoca de fato o impacto ambiental e que as alterações no meio ambiente causam o desequilíbrio das relações que compõe o ambiente impedindo a capacidade de vida nos mais diversos ecossistemas considerados.



Figura 4 - Aroeira (Schinus terebinthifolius), uma das árvores símbolos da Caatinga.



Em se tratando da construção de uma ‘ética ecológica’ – segundo Junges (2004, p. 57), é “a responsabilidade ética de preservar a qualidade do ambiente (...).” Ou seja, “(...) sua preservação é uma exigência ética, porque depende da decisão humana.” Está é à base da ética ambiental. Assim, é preciso que façamos o uso da ética, enquanto algo que expresse hábitos e ações que visem o bem comum, que também indique o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Portanto, não podemos esquecer que a ética é parte da cultura de um povo.
Figura 5 - Tanque natural que serve como reservatório d'água para a fauna existente.



ANEXOS



Figura 6 - Há uma grande concentração de Calcário Jandaíra, rocha sedimentar com formação geológica entre 93 a 89 milhões de anos atrás.


Figura 7 - Raiz arbórea impondo sua força diante da solidez do sedimento rochoso.


Figura 8 - Uma das cavernas da APP.



Figura 9 - Prof. Hugo Arnaud e Assis Amorim, funcionários da escola.


Figura 10 - Casa sede da Fazenda Pereiro. Assis Amorim, Prof. Júnior e Elisabeth Marques, supervisora escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para que ocorra de fato a sustentabilidade, isto é, de uma relação harmônica entre o homem e a natureza é necessário que haja uma sustentabilidade social, econômica e cultural se pensamos preservar o meio ambiente. Porém, isso só existirá mediante mudanças de atitudes, valores, comportamentos e objetivos, além de uma postura ativa e ética nas nossas ações diariamente. Em outras palavras, as relações estão envolvidas em um fazer orgânico: é viva e mutável.

A APP da Fazenda Pereiro é uma área de grande relevância ecológica e beleza cênica, com potencial para turismo sustentável, científico e pedagógico.

A partir dos levantamentos feitos pelos alunos ficou patente que as APP’s visam um “meio ambiente ecologicamente equilibrado”. Que elas são guardiãs do bioma caatinga.

Em contato com a natureza, os alunos observaram que a vegetação da caatinga apresenta espécies xerófitas (com formação seca e espinhosa) e caducifólias (que perdem as folhas em determinada época do ano). Quanto à flora local foi possível constatar extratos arbóreos, arbustivos e herbáceos com alturas variando entre 12 e 2 metros. Dentre elas podemos destacar a aroeira, angico, juazeiro, umburana, pau-branco, pau-de-leite, catingueira e jurema.

Por se tratar de uma unidade de proteção ambiental, percebemos que o proprietário da fazenda não permite qualquer tipo de exploração dos recursos naturais. Durante a visitação constatamos que a área preservada não continha nenhum tipo de poluente, isto é, da presença de lixo. Segundo relato do gerente, todo o lixo produzido pelos moradores da fazenda é coletado e levado para o aterro sanitário, o que demonstra consciência ecológica por parte do proprietário.

Em relação à forma alunos apreendem o meio ambiente (qualidade de vida, degradação e preservação ambiental) é necessário observarmos o pensamento de José Roque Junges quando diz que:

“O modo de perceber o mundo e de entender o lugar do ser humano nele deve mudar. Portanto, não se trata de uma ética como elaboração de normas e imperativos, mas de uma total conversão e excelência moral. O modelo de ser humano egoico, compreendido como indivíduo isolado e separado do mundo, transformando a natureza em objeto que se encontra a seu dispor, cria patologias ambientais correspondentes a patologias psicológicas, pedagógicas e sociais (2004, p. 22).”

Se lançarmos um olhar para trás sobre todos os esforços empreendidos pelo ser humano até agora, percebe-se o quanto é essencial e urgente à instituição de uma nova ética da responsabilidade que não coloque em risco a existência do homem no presente ou que não demonstre nenhuma preocupação com o futuro da humanidade.

As relações estabelecidas entre o homem e os demais seres vivos devem ser alteradas para que haja um equilíbrio entre todos. A partir do olhar ético o fenômeno da vida segue seu curso normal, onde ambos os seres se entrelaçam formando uma rede para, assim, inaugurar “um paradigma de pertença e de integração, de interdependência e de interconectividade” (OLIVERIA e BORGES, 2008, p. 47).


AGRADECIMENTOS

Ao Senhor Nathan, proprietário da Fazenda Pereiro, e a “Zé”, gerente da referida propriedade rural.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

FREIRE, Paulo. Política e educação. São Paulo: Cortez, 2001. (Coleção Questões de Nossa Época; v. 23).

GUIMARÃES, Mauro. A Dimensão Ambiental na Educação. Campinas: Papirus, 2007 (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico).

JUNGES, José Roque. Ética ambiental. São Leopoldo: Unisinos, 2004.


OLIVEIRA, Jaelson Roberto de, SANTOS, Wilton Borges dos. Éitca de Gaia: ensaios de ética socioambiental. São Paulo: Paulus, 2008 (Coleção Ethos).

Nenhum comentário:

Postar um comentário