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terça-feira, 8 de maio de 2012

Projeto Diga não ao preconceito

EMGM – ESCOLA MUNICIPAL GENILDO MIRANDA
PROFESSOR: JOSÉ LIMA DIAS JÚNIOR
DISCIPLINA: HISTÓRIA/ENSINO RELIGIOSO


PROJETO: DIGA NÃO AO PRECONCEITO!

TEMA: A escola na construção da cidadania sem preconceito e por uma cultura de paz

JUSTIFICATIVA:

            Visando a uma aprendizagem significativa e com base nas novas concepções pedagógicas que norteiam as reflexões dos estudiosos de Ciências Humanas nas últimas décadas, buscamos desenvolver um projeto que vise combater o preconceito e a discriminação no ambiente escolar.
Imagens dos alunos do 8 Ano "B"

 Por isso, em uma sociedade como a nossa, em que as desigualdades sociais são gritantes, o compromisso da História seria problematizar esta complexa noção — de que não há discriminação e preconceitos no cotidiano da escola — para evitar a banalização dos termos.



            O projeto deve ser definido a partir de critérios de equidade, ou seja, critérios relacionados aos direitos de cidadania. Sugerimos iniciar o trabalho partindo de exemplos corriqueiros, situações do dia-a-dia que possam ser facilmente identificadas ou compreendidas pelo aluno.

            Assim sendo, o projeto busca (...) superar o discurso de tom moralizante que durante muito tempo orientou o combate às várias formas de preconceito e ao etnocentrismo na escola, mostrando que tais fenômenos são, entre outras coisas, frutos da ignorância e que, portanto, a melhor forma de combatê-los é o conhecimento. (História: sociedade & cidadania, Alfredo Boulos Júnior, São Paulo: FTD, 2006)

            Por acreditar que a educação se dá num espaço onde estão inseridos sujeitos de vários grupos étnicos, contextos sócio-político-econômicos diferentes, religiões e classes distintas, faz-se necessário investigar até que ponto a escola tem contribuído para a afirmação, aceitação ou descriminação de identidades específicas.
            Partindo do pressuposto, reconhecemos a relevância do tema para uma educação transformadora, no sentido de coibir com os casos de preconceito racial, de religião, de sexualidade, de gênero, etc, ocorridos em sala de aula ou no ambiente escolar sejam identificados, ao ponto de que a escola possa propor caminhos de modo a contribuir para alternativas transformadoras no cotidiano escolar.

            A escolha do tema parte da premissa de que o desafio a preconceitos e a valorização da cultura de paz devem está incluído não somente na escola, mas em todos os espaços públicos e privados da sociedade.
            “Nesse sentido, é necessário que a escola caminhe para seu reconhecimento como uma organização multicultural, educando as novas gerações na convivência, respeito e valorização das culturas plurais. A educação, em seus diversos contextos, é chamada a desempenhar um papel relevante na preparação para a diversidade, para o respeito, e, sobretudo, na prevenção da intolerância”. (Desafiando o preconceito racial: a escola como organização multicultural. Michele dos Santos/Ana Canen, UFRJ).


OBJETIVO GERAL:

            Estimular intervenções individuais e coletivas contra atitudes preconceituosas, etnocêntricas e discriminatórias.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  •   Conscientização das diferenças entre pessoas, mostrando que a diversidade não implica inferioridade;
  •   Ensinar o que é preconceito e discriminação;
  •   Promover a autoestima através do autoconhecimento e liberdade de expressão;
  •   Trabalhar noção de cidadania, igualdade de direitos e deveres;
  •   Desenvolver o respeito ao outro, respeito a si mesmo e solidariedade humana;
  •   Conscientizar o aluno de que vivemos em uma sociedade multicultural e pluriétnica;
  •   Estimular no aluno atitudes de tolerância e respeito em relação ao outro;
  •   Questionar o etnocentrismo;
  •  Tomar posição diante de questões sociais e relativas à cidadania;
  • Respeitar e valorizar a diversidade cultural;
  •   Assumir atitudes éticas e compromissos;
  •   Trocar idéias e informações, colaborando na criação coletiva;
  •   Valorizar o debate e saber respeitar as várias opiniões surgidas.


METODOLOGIA:


  •   Aulas expositivas e discussões sobre os assuntos expostos;
  •   Atividades e discussões em sala de aula;
  •   Projeção de vídeos e documentários.


AVALIAÇÃO:


                        O aluno será avaliado mediante a participação, sua compreensão oral e escrita sobre o assunto discutido, observando se os objetivos propostos foram alcançados.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em busca do ethos!

Sakineh Mohammadi Ashtiani

Apesar do processo de industrialização e do avanço da ciência, crenças e práticas culturais tem influenciado as exigências de ordem prática, ética ou moral da vida humana. 
A partir desse pressuposto, é necessário observar que “a cultura promove a sua própria ordenação ao estabelecer normas e regras de conduta que devem ser observadas por cada um de seus membros” (Wikipédia).
Aqui, cabe lembrar o caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que foi condenada à morte (apedrejamento) por ter cometido adultério (crime grave no Irã).  Será que não podemos ter a liberdade de escolher, de possuir um modo de ser, de agir e pensar diferente daquilo que é imposto pelos padrões culturais? Qual o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade? É aquele que oprime ou liberta?
Assim, é preciso estabelecer um processo de encontros, de inter-relações entre os indivíduos, onde a ética e a moral nos motive ou nos proporcione uma abertura para uma melhor convivência. Que não sejamos “fundamentalistas” a ponto de se curvar a obediência das normas, dos tabus, dos costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos que entravam o nosso modo de pensar e agir em sociedade.
Portanto, os crimes de tortura, assassinato, apedrejamento, enfim, as punições severas sejam classificadas como “bestiais”, ou seja, brutais, estúpidas, feias, repugnantes. Não cabe a nós, legitimar e estimular a barbárie ou os maus-tratos aplicados a grupos humanos, nem tão pouco criarmos  a “ética da dominação humana”.
O caso de Sakineh reforça a submissão, a sujeição, a obediência e a dominação da mulher iraniana ao homem.  Contudo, o desrespeito aos direitos humanos no Irã tem sido criticado tanto pelos próprios iranianos, quanto por ativistas internacionais de direitos humanos, escritores, artistas, intelectuais e ONGs.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), adotada em 10 de dezembro de 1948, estabelece em seu Artigo 1º que:

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

Embora tenham partido pela necessidade de legitimação e manutenção do mando, os homens, no Irã, movidos pela cultura (religião), ampliaram e aceleraram a dominação, selecionando os indivíduos e orientando sua conduta. Assim, não é possível ver a liberdade de pensamento e de expressão, e a igualdade perante a lei.
            Apropriadas por visões preconceituosas que ajudam a perpetuar conservadorismos e discriminações infundadas, é o que tem feito os países árabes em relação às mulheres. Porém, cabe a nós insuflar a vida na palavra, e não excluir às mulheres o direito da liberdade plena sem amarras ou preconceitos.


Por Lima Júnior...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Mulher e o Mal

Desde a Antiguidade atribui-se às mulheres adjetivos depreciativos (pérfidas, perversas, maldosas, desleal, falsa, traiçoeira, infiel, maliciosas, ambiciosas, diabólicas etc) tudo em nome da dominação e da hegemonia masculina. Assim, é que se construiram preconceitos e discriminação em torno da imagem feminina.

Assim, "(...) no mundo Judaico-Cristão principalmente, as mulheres representam a tentação, o lado sombrio e negativo do ser humano, eram como verdadeiras pedras de tropeço no caminho" (A Mulher e o Mal: A Anima Negativa, o mito de Lilith e a Santa Inquisição - José Eliézer Mikosz). Por isso, ao longo dos séculos, alguns preconceitos históricos do homem diante da mulher se constituiram como parte do discurso dominante.

Na mitologa grega, Zeus cria a mulher (Pandora) para ser um mal para os homens. Desse modo, nas cosmogonias feminas, Pandora e Eva são criadas por determinações divina. Portanto, ambas são responsáveis pela perda do "paraíso terrestre" (sobre a mitologia grega ver as obras de Junito de Souza Brandão).

A associação entre a mulher e o diabo é antiga no Ocidente. "Tem raízes nos discursos médico, jurídico e literário do mundo greco-romano, nos textos religiosos e míticos de matriz judaico-cristã, e marcou a história das relações de gênero desde a Antiguidade até o século XX", observa Georgina Silva dos Santos/UFF (Revista de História da Biblioteca Nacional, Ano 5, Nº 56, Maio/2010).

A crença da inclinação da mulher para o mal é antiga, assim com é parceira em atividades com o demônio (Pé-Preto; Sete Voltas; Rabudo; Cramulhão; Tisnado; Cão; Satanás; Satã; Arrenegado etc). No livro do Gênesis, o encontro entre Eva (vista como introdutora do pecado, isto é, do mal, é responsável pela condenação dos homens) e a serpente (o demônio) ilustra esta relação, onde o gênero feminino pactua com o diabo.

Ao longo do tempo, sacerdotes, padres, monges, frades e teólogos medievais, converteram a mulher em um ser pernicioso, maudoso, nocivo, ruinoso, exemplo de traição, maldade e do perigo. Santo Agostinho, afirmara que "a mulher é a janela do diabo". A partir do discurso ideológico-religioso é que foi construída a imagem da mulher submissa.

Havia um imaginário frenético de que a mulher era a expressão do mal, que de "parceira consciente do diabo", é possuidora de um "arsenal de malefícios". Acusadas de bruxaria e feitiçaria, as mulheres, sempre, foram associadas ao pecado, pela imagem macabra de sacrificar crianças em honra ao diabo, além de "demonizar e desciminar práticas mágicas". 

Foi na Idade Média, que a mulher foi convertida em bruxa (exemplo disto foi  Joana d'Arc /1412-1431, que foi queimada viva pela Igreja) por teólogos e eruditos. Era rotulada de agente do demônio.

No mundo de hoje, o diabo e seus seguidores ocupam lugar no cenário principal do imaginário coletivo. Assim, parece-me que tudo que está ligado ao universo feminino, torna-se averso, o que faz com que a mulher seja expurgada, alheia, abjeta do mundo masculino. 

Com isso, o discurso masculino que exclui e discrimina põe a mulher como um ser indigno, desprezível, ignóbil, vil, isto é, que causa vergonha, infâmia, injúria, desonra, mancha infamante e incompetente. Deste modo, o que se percebe é que há uma misoginia, ou seja, ódio, desprezo ao gênero feminino.


Por José Lima Dias Júnior...