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terça-feira, 16 de novembro de 2010

SOBRE A INDEPENDÊNCIA...



Charges para Reflexão:


Que tardamos? A época é esta: Portugal nos insulta; a América nos convida; a Europa nos contempla; o príncipe nos defende. Cidadãos! soltai o grito festivo... Viva o Imperador Constitucional do Brasil, o Senhor D. Pedro I.
(Proclamação. Correio Extraordinário do Rio de Janeiro. 21 de setembro de 1822.)
Caio Prado Júnior, falecido em novembro de 1990, foi um dos mais importantes historiadores brasileiros deste século. No livro FORMAÇÃO DO BRASIL CONTEMPORÂNEO, de 1942, escreveu:
"O início do século XIX não se assinala para nós unicamente por esses acontecimentos relevantes que são a transferência da sede da monarquia portuguesa para o Brasil e os atos preparatórios da emancipação política do Brasil. Ele marca uma etapa decisiva em nossa evolução e inicia em todos os terrenos, social, político e econômico, uma fase nova."
Após a Independência, integramo-nos como exportadores de produtos primários à divisão internacional do trabalho, estruturada ao redor da Grã-Bretanha. O Brasil especializou-se na produção, com braço escravo importado da África, de plantas tropicais para a Europa e a América do Norte. Isso atrasou o desenvolvimento de nossa economia por pelo menos uns oitenta anos. Éramos um país essencialmente agrícola e tecnicamente atrasado por depender de produtores cativos. Não se poderia confiar a trabalhadores forçados outros instrumentos de produção que os mais toscos e baratos.
O atraso econômico forçou o Brasil a se voltar para fora. Era do exterior que vinham os bens de consumo que fundamentavam um padrão de vida "civilizado", marca que distinguia as classes cultas e "naturalmente" dominantes do povaréu primitivo e miserável. (...) E de fora vinham também os capitais que permitiam iniciar a construção de uma infra-estrutura de serviços urbanos, de energia, transportes e comunicações.
PARA REFLETIR:
"A massa popular a tudo ficou indiferente, parecendo perguntar como o burro da fábula: não terei a vida toda de carregar a albarda?"
Saint Hilaire era um botânico francês que, entre 1816 e 1822, viajou pelo Brasil, estudando a flora do país. Estava por aqui quando da ruptura política dos laços coloniais entre Brasil e Portugal, ocasião em que escreveu as palavras anteriores.
(Albarda, segundo o dicionário Aurélio, significa sela grosseira, enchumaçada de palha, para bestas de carga. E também opressão, vexame, humilhação.)


Concluímos este tópico com uma transcrição da Matéria do, Economista, Rodrigo Constantino, publicada no JORNAL O GLOBO de 07/09/2010, na coluna de OPINIÕES, com o título de "REFLEXÕES PATRIÓTICAS".

"No dia de hoje, nada melhor do que fazer algumas reflexões acerca dos rumos do nosso país. O amor à Pátria é um sentimento de união de indivíduos que compartilham uma história, uma cultura e valores comuns.
Ele difere bastante do nacionalismo vulgar, uma forma de coletivismo xenófobo que transforma os indivíduos em simples meios sacrificáveis.
Foi o patriotismo que alimentou a Revolução Americana; foi o nacionalismo exacerbado que levou ao nazismo.
Não podemos falar de patriotismo sem citar nosso Patriarca da Independência.
Sob a influência iluminista, José Bonifácio de Andrada e Silva abraçou os principais pilares da filosofia liberal, compreendendo que a riqueza das nações é produzida pela concorrência e liberdade de empreender, e não pela tutela estatal.
O comércio, livre da opressão de minuciosos regulamentos, seria o responsável pela prosperidade da nação.
Ele foi uma das vozes mais importantes contra os abusos de poder da Coroa portuguesa e a escravidão. O Brasil era cada vez mais explorado como colônia. A independência era crucial. Andrada compreendia o que estava em jogo: “Sem liberdade individual não pode haver civilização nem sólida riqueza; não pode haver moralidade e justiça; e sem essas filhas do céu, não há nem pode haver brio, força e poder entre as nações.” O Brasil deveria ser um país de cidadãos livres, não de escravos. Infelizmente, deixamos de ser súditos de Portugal, mas nos tornamos súditos de Brasília. O governo central foi concentrando cada vez mais poder à custa da liberdade individual, e o dirigismo estatal poucas vezes esteve tão forte.
Neste contexto, o presidente da Fiesp chegou a afirmar que gostaria de “fechar o país”. Isto remete ao que há de mais retrógrado no pensamento econômico. O mercantilismo beneficia poucos empresários próximos ao governo, enquanto prejudica todos os consumidores e pagadores de impostos. Fala-se em “interesse nacional” para ocultar a simples busca por privilégios e monopólios.
Na nefasta aliança entre governo e grandes empresários, o povo acaba pagando a conta. Basta lembrar a absurda Lei da Informática para ter ideia do pesado custo imposto aos brasileiros por estas teorias ultrapassadas.
O patriotismo pode ser uma arma poderosa contra a tirania. Unidos por um ideal comum de liberdade, os cidadãos representam uma constante barreira às ameaças despóticas. Se mal calibrado, porém, ele pode dar vida ao nacionalismo coletivista, que serve justamente aos interesses dos oportunistas de plantão sedentos por poder. O “orgulho nacional” deve se sustentar em conquistas legítimas, não em fantasias tolas. O verdadeiro patriota não foge da realidade.
Sob a luz da razão, devemos perguntar: qual o motivo para sentir orgulho de nossa trajetória enquanto nação?
Somos recordistas mundiais em homicídios. Nossas estradas federais são assassinas. O transporte público é caótico. A saúde e a educação públicas são vergonhosas. A impunidade e a morosidade são as marcas registradas de nossa Justiça.
A corrupção se alastra feito um câncer.
A cultura do “jeitinho” tomou conta do país e a ética foi parar no lixo. Nossas instituições republicanas estão ameaçadas. Nossa democracia é vítima do descaso e do escancarado uso da máquina estatal para a compra de votos. O Estado, capturado por um partido, pratica crimes contra o cidadão, como a quebra de sigilo fiscal da Receita. E ainda somos obrigados a trabalhar cinco meses do ano somente para pagar impostos! Regado a crédito facilitado e com o auxílio dos ventos externos favoráveis, o consumo crescente atua como um poderoso anestésico contra esta dura realidade. O velho “pão & circo” também faz sua parte. Será que devemos celebrar um time de futebol temido mundo afora, enquanto a miséria domina o país? Será que devemos ter orgulho do “nosso” petróleo, quando pagamos um dos combustíveis mais caros do mundo e vemos a Petrobras ser estuprada pelos donos do poder? A transformação do patriotismo em nacionalismo está em seu auge quando o povo adere ao infantilismo e passa a encarar seu governante como uma figura paterna. Não se trata do respeito por um estadista, mas de uma forma de idolatria ao “pai do povo”, que não pretende governar, mas sim “cuidar” de sua prole ao lado da “mãe do povo”. É a demagogia em máximo grau. Quando se chega a este estágio decadente, a Pátria já não tem muito de que se orgulhar. É chegada a hora de uma nova independência.
Desta vez de Brasília.
O governo foi concentrando poder à custa da liberdade individual"
posted by PROFESSORA MARIA JULIA @ 9/06/2010 11:37:00 AM   (historiajulia.blogspot.com)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A dominação: entre a política e a cultura

Muitas vezes, a cultura contribui para mascarar, na vida social, a existência de indivíduos socialmente diferenciados.
Raciocinando a partir desse conceito (cultura), as relações de poder constituídas pelas ações humanas têm gerado “cargas históricas desiguais”, mesmo sob a ação da instância política que tem assegurado as condições de reprodução do modo de produção dominante.
O elemento político (e cultural) passou a ser um referencial analítico no estudo da histórica local. A perspectiva histórica evidência que na evolução política do país, o poder local (liderado pelas famílias poderosas de cada estado, isto é, as chamadas oligarquias), através das elites locais, ainda mantém, nos dias atuais, preservadas a estrutura do poder burguês para assegurar seus interesses.
Se a revolução burguesa (século XVIII), “proclamou” a igualdade entre os homens, como podemos falar em  liberdade se as diferenças e os conflitos entre as classes não foram extintas? Desde a revolução burguesa, a burguesia enquanto nova classe dominante eliminou o sistema monárquico e instalou o sistema republicano que passou, então, a ter o controle político da sociedade, através dos partidos políticos, do legislativo etc. Portanto, “(...) para entender os atos jurídicos, as leis, as formas de governo e os regimes políticos, deve-se procurar a explicação nas relações materiais de vida, isto é, nas relações diretamente ligadas aos interesses, vantagens e necessidades materiais dos indivíduos e dos grupos sociais” (Edgard M. G. Materialismo Dialético).
Assim, os interesses materiais “estão na base da vida da sociedade, por que dividem as pessoas em classes”. É preciso fazer alguns questionamentos: As classes subalternas têm consciência do lugar que ocupam na sociedade de classes? Como se articulam os interesses materiais? Podemos afirmar que os interesses materiais de uma sociedade constituem os interesses de cada indivíduo que a compõe?
            Segundo Edgard, “o interesse material é o interesse de classe, e ele é básico para a compreensão das leis, dos regimes políticos e da cultura de uma sociedade, por que está igualmente presente nas  leis, nos regimes políticos e na cultura”. Porém, não podemos esquecer que os interesses materiais “estão presentes também nas outras esferas da vida social: no político, no direito, na religião, nas artes etc”, observa Edgard. Por isso, é necessário lembrar que a explicação da vida social, política e cultural estar relacionada com as relações econômicas da sociedade.
É relevante observar que, a cada grupo político-familiar na gestão pública (seja nos municípios e estados), os aparatos ideológicos de sua sustentação no poder são reforçados.  Assim sendo, a sociedade se enxerga pelos valores da classe dominante.
            Na sociedade capitalista, a reprodução do “poder ser realiza sobre a expropriação do outro”.  Por isso, os interesses individuais ou particulares são ilusoriamente tidos com coletivos. Contudo, a formulação de um sistema ideológico-dominante encontra sua expressão mais difundida com os governos conservadores, que institucionalizaram uma estratégia política que permita a reprodução da dominação.
            Um ponto que deve ser observado dentro do contexto da dominação política, é como os indivíduos pensam e apreendem a realidade em que viveu? Esse estado de coisas, aqui existente, é fruto dos desígnios divinos ou conseqüências das ações humanas?
            Pela lente da História é possível visualizar que as desigualdades que tem possibilitado um abismo social em que separa os indivíduos de acordo com o poder aquisitivo é resultado das práticas políticas conservadoras, onde o nepotismo, o assistencialismo, o favorecimento, os interesses escusos, os desvios de verbas etc., são instrumentos que garantem politicamente a dominação.
            Diante do exposto, é fundamental examinar que a construção e reprodução deste sistema de dominação se dar mediante as dimensões da política e da cultura. Assim, tanto a política como a cultura servem de instrumentos para a construção do poder.

Por Prof. Lima Júnior...